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Pesquisadores desenvolvem caprinos transgênicos
para produção de biofármacos
Pesquisadores das universidades Estadual do Ceará (UECE)
e Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão desenvolvendo, com
o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq/MCT), projeto para utilizar a cabra como
biorreator na produção de proteínas da glândula
mamária para uso em saúde humana desde 1999. Como
resultado do trabalho, em 2006 nasceu “Carlos”, primeiro
caprino transgênico obtido na América Latina.
No início das pesquisas, optou-se pela produção
de caprinos transgênicos portadores do gene humano para o
Fator Estimulante de Colônia de Granulócitos humano
(hG-CSF). Essa proteína foi escolhida por sua importância
no tratamento de imunodeficiências em humanos, além
de usos em casos de infarto do miocárdio e isquemia cerebral.
Em 2006 foi realizado um grande experimento de campo utilizando-se
23 cabras da raça Saanen como doadoras de embriões
e 48 cabras mestiças como receptoras ou “barrigas de
aluguel”. As doadoras foram superovuladas hormonalmente e
cobertas por machos da raça Saanen. Os embriões foram
colhidos por cirurgia algumas horas após a fecundação
e aqueles no estágio pró-nuclear foram microinjetados
com a construção do hG-CSF.
Após a microinjeção, os embriões foram
transferidos para 27 receptoras que estavam aptas, sendo que dez
ficaram prenhes. O resultado mostra uma taxa de fertilidade igual
ou superior aos dados internacionais obtidos por equipes nos Estados
Unidos, Inglaterra e Canadá. As dez receptoras produziram
14 cabritos, sendo que um macho, Carlos, apresentou o transgene.
Carlos morreu com 17 dias de vida devido a uma nefrite, infecção
contraída durante o parto e que não está ligada
ao processo de transgênese. “Estão previstos
novos experimentos para 2007 para a obtenção de outros
caprinos transgênicos, pois a equipe já demonstrou
competência na área e domínio das diversas etapas
envolvidas no processo”, afirmou Vicente Freitas, pesquisador
PQ do CNPq e coordenador do projeto.
Os experimentos têm sido realizados no Laboratório
de Fisiologia e Controle da Reprodução da UECE, localizado
em Fortaleza-CE, e foram financiados, além do CNPq, pela
FINEP, FUNCAP e FAPERJ. Além do professor Vicente Freitas,
da UECE, os trabalhos contam com a participação de
Antonio Carlos de Carvalho, UFRJ-IBCCF (também bolsista PQ
do CNPq) e dos pesquisadores russos Oleg Serov, Irina Serova e Liudmila
Andreeva.

Assessoria de Comunicação Social do CNPq
61 2108-9414
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