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Sala de Imprensa
 
 
 
08/04/2008
 

 

Energia renovada com o apoio do CNPq

O padrão energético baseado no petróleo está em crise. No mês de março, o preço do barril de petróleo atingiu o pico de US$ 109,72 pela Bolsa Mercantil de Nova Iorque (NYMEX). A Agência de Informações em Energia do Departamento de Estado Americano (EIA) subiu sua projeção de preços do petróleo para este ano a uma cotação média de US$ 94 por barril, ante os US$ 86 especulados em fevereiro.

Assim, as duas principais razões que motivam os governos a buscarem novos combustíveis são o aquecimento global e a disparada dos preços do petróleo. “A combustão de derivados do petróleo, iniciada há cinqüenta anos, gera o acúmulo na atmosfera de gases responsáveis pelo efeito estufa que por sua vez contribui para as alterações nos padrões climáticos que podem ser observados no planeta”, alerta a pesquisadora Elba Bom, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

No Brasil, líder em produção de etanol, como afirma a pesquisadora Cristina Castro, a substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis tornou-se uma realidade. “É grande a preocupação quanto às metas globais de substituição dos combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão mineral, por energias mais limpas e menos poluidoras, tais como a eólica, a solar e os biocombustíveis”, explica a pesquisadora da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

Incentivo
Seguindo esse conceito, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) realizaram uma ação de apoio a projetos de pesquisa e tecnologias de vanguarda para a produção de etanol e biodiesel. Em outubro de 2007, após intensa discussão com diferentes setores da sociedade brasileira, foi lançado um edital para selecionar esses projetos. A ação teve recursos dos Fundos Setoriais de Agronegócios (CT-Agro) e Biotecnologia (CT-Biotec), com um montante de R$ 17 milhões para financiamento de 46 propostas.

“Essa ação do CNPq/MCT veio num momento importante para a área de biocombustíveis”, afirma o pesquisador Jairton Dupont, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Para ele, o país encontra-se na vanguarda tecnológica da produção de etanol, ”mas só poderá se manter entre os países detentores de tecnologia de ponta se investir regularmente e criteriosamente na pesquisa fundamental”.

Aquecimento global
Em fevereiro de 2007, o relatório divulgado pelos participantes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), grupo criado pelas Nações Unidas que conta com mais de 500 pesquisadores do clima, de 113 países, apontou que a terra vai aquecer entre 1,1ºC e 6,4ºC até o final do século. Esse aquecimento está sendo provocado principalmente pela combustão de materiais fósseis, constatada pelo aumento em 35% na quantidade de dióxido de carbono na atmosfera desde 1750, e o crescimento, duas vezes mais rápido, da temperatura nos últimos 50 anos do que os cem anos anteriores. Caso esta tendência continue, provocará um aumento no nível dos mares em até 59 centímetros e poderá ocasionar múltiplos fenômenos como ondas de calor, secas prolongadas, que provocarão deslocamento de cerca de 200 milhões de refugiados climáticos.

Estes resultados não estão longe de acontecer. Desde 1993 plataformas de gelo cada vez mais extensas estão se desintegrando na Região Antártida. Na última semana de março, imagens de satélite mostraram que uma grande parte da plataforma de gelo Wilkins, da Antártida, se desprendeu do continente após entrar em colapso.

Segundo o pesquisador Jefferson Simões, coordenador do Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nos últimos 15 anos as plataformas estão se desintegrando cada vez mais próximas do hemisfério sul. “ Esta plataforma está a 70º sul, uma proximidade nunca antes ocorrida”, declara Simões. Para o professor, o colapso acontece quando a temperatura da atmosfera aquece e formam-se lagos na superfície da plataforma. “O gelo se fratura e essa água penetra nas fraturas, tornando instável essa área enorme de gelo flutuante. A plataforma se quebra, desprendendo-se em diversos pedaços que ficam a deriva no mar até derreterem-se completamente”, explica Jefferson.

Novas soluções
Em busca de alternativas tecnológicas para utilização de combustíveis renováveis que provoquem um menor impacto ambiental, o edital do CNPq apóia diversas pesquisas na produção de etanol e biodiesel, com base em fontes de energia distribuídas por todo o país. “O Brasil tem condições ímpares para a implementação de novas tecnologias, como a produção de etanol de biomassa e biodiesel”, afirma Elba Bom, da UFRJ, e coordenadora do projeto que busca a produção de etanol de segunda geração a partir da biomassa da cana-de-açúcar.

Outro projeto aprovado, coordenado pelo professor Flávio Luiz Honorato da Silva, da Universidade Federal de Campina Grande UFCG), pesquisa a utilização do pedúnculo de caju para a produção de biocombustível (bioetanol). ”É também uma forma de aproveitar o resíduo (bagaço) do fruto, evitando desperdício e fazendo com que a cultura do caju seja mais valorizada, gerando emprego e renda”, disse o pesquisador.

O pinhão manso é mais uma fonte estudada no projeto coordenado pela pesquisadora Cristina Castro, da APTA, que atua nas áreas de produtores do Vale do Paraíba Paulista. “Uma alternativa econômica, social e ambiental para a produção integrada de biodiesel, esta oleaginosa, que se integra à paisagem, será também uma alternativa de renda e reduzirá o impacto ambiental gerado pelas extensas áreas de produção florestal que atendem a indústria de papel e celulose”, explica.

E para melhorar as formas de produção já utilizadas no país para o biodiesel, o projeto coordenado por Jairton Dupont, da UFRGS, está propondo o desenvolvimento de um sistema catalítico enzimático suportado. “Acreditamos que a metodologia proposta vai proporcionar uma diminuição nos problemas relacionados à parte operacional do processo de produção, bem como de extração do biodiesel”, explica o coordenador.

Futuro promissor
Uma iniciativa que buscou expandir as ações voltadas à pesquisa e desenvolvimento tecnológico dos biocombustíveis no Brasil e manter o país na vanguarda da utilização de energias biorrenováveis, o edital recebeu uma elevada demanda, contabilizando mais de 260 propostas, reflexo da compentência científica instalada nas instituições brasileiras. “Em um curto espaço de tempo, esses projetos poderão trazer grandes avanços para a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico no campo da bioenergia, atingindo toda a sociedade e contribuindo significativamente para a conquista de um futuro melhor para a humanidade por meio da ampliação da utilização de energias menos poluidoras e certamente mais racionais”, declarou o diretor de Programas Temáticos e Setoriais do CNPq, José Oswaldo Siqueira.

Revolucionário
Segundo o pesquisador Flávio Luiz Honorato da Silva, da UFCG, “outros impactos que os projetos podem trazer para a sociedade são também as possibilidades de além de abastecer o mercado interno com o biocombustível renovável, reduzindo o impacto ambiental, exportar e vender créditos de carbono, sinalizando a grande importância para o Brasil pesquisar alternativas de biomassas na produção de bioetanol, continuando a ser o maior produtor deste biocombustível”, completa.

José Oswaldo Siqueira

Diante da gama de projetos apoiados por meio do edital, José Oswaldo Siqueira adianta que “como resultados esperados destacamos os avanços tecnológicos no setor sucroalcooleiro, que será tão revolucionário quanto foi a própria utilização do álcool como combustível veicular, avanços nas chamadas tecnologias de segunda geração para a obtenção de etanol a partir de outras matérias-primas que não a cana-de-açúcar”, afirma.

Em relação ao biodiesel, Siqueira declara que o CNPq aguarda o surgimento de significativas possibilidades de ampliar o conhecimento sobre as espécies vegetais com potencial para produzir este combustível e sobre os aspectos agronômicos relacionados à produção das culturas oleaginosas, incluindo avaliações dos impactos ambientais, na geração de renda e na inclusão social produzidos pelas diferentes culturas energéticas, em diferentes condições e regiões do país.

Assessoria de Comunicação Social do CNPq
(61) 2108-9414