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Energia renovada com o apoio
do CNPq
O padrão energético baseado no petróleo está
em crise. No mês de março, o preço do barril
de petróleo atingiu o pico de US$ 109,72 pela Bolsa Mercantil
de Nova Iorque (NYMEX). A Agência de Informações
em Energia do Departamento de Estado Americano (EIA) subiu sua projeção
de preços do petróleo para este ano a uma cotação
média de US$ 94 por barril, ante os US$ 86 especulados em
fevereiro.
Assim,
as duas principais razões que motivam os governos a buscarem
novos combustíveis são o aquecimento global e a disparada
dos preços do petróleo. “A combustão
de derivados do petróleo, iniciada há cinqüenta
anos, gera o acúmulo na atmosfera de gases responsáveis
pelo efeito estufa que por sua vez contribui para as alterações
nos padrões climáticos que podem ser observados no
planeta”, alerta a pesquisadora Elba Bom, da Universidade
Federal do Rio de Janeiro.
No Brasil, líder em produção de etanol, como
afirma a pesquisadora Cristina Castro, a substituição
de combustíveis fósseis por biocombustíveis
tornou-se uma realidade. “É grande a preocupação
quanto às metas globais de substituição dos
combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão
mineral, por energias mais limpas e menos poluidoras, tais como
a eólica, a solar e os biocombustíveis”, explica
a pesquisadora da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios
(APTA).
Incentivo
Seguindo esse conceito, o Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq) realizaram uma ação de
apoio a projetos de pesquisa e tecnologias de vanguarda para a produção
de etanol e biodiesel. Em outubro de 2007, após intensa discussão
com diferentes setores da sociedade brasileira, foi lançado
um edital para selecionar esses projetos. A ação teve
recursos dos Fundos Setoriais de Agronegócios (CT-Agro) e
Biotecnologia (CT-Biotec), com um montante de R$ 17 milhões
para financiamento de 46 propostas.
“Essa ação do CNPq/MCT veio num momento importante
para a área de biocombustíveis”, afirma o pesquisador
Jairton Dupont, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Para ele, o país encontra-se na vanguarda tecnológica
da produção de etanol, ”mas só poderá
se manter entre os países detentores de tecnologia de ponta
se investir regularmente e criteriosamente na pesquisa fundamental”.
Aquecimento global
Em fevereiro de 2007, o relatório divulgado pelos participantes
do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
(IPCC, em inglês), grupo criado pelas Nações
Unidas que conta com mais de 500 pesquisadores do clima, de 113
países, apontou que a terra vai aquecer entre 1,1ºC
e 6,4ºC até o final do século. Esse aquecimento
está sendo provocado principalmente pela combustão
de materiais fósseis, constatada pelo aumento em 35% na quantidade
de dióxido de carbono na atmosfera desde 1750, e o crescimento,
duas vezes mais rápido, da temperatura nos últimos
50 anos do que os cem anos anteriores. Caso esta tendência
continue, provocará um aumento no nível dos mares
em até 59 centímetros e poderá ocasionar múltiplos
fenômenos como ondas de calor, secas prolongadas, que provocarão
deslocamento de cerca de 200 milhões de refugiados climáticos.
Estes resultados não estão longe de acontecer. Desde
1993 plataformas de gelo cada vez mais extensas estão se
desintegrando na Região Antártida. Na última
semana de março, imagens de satélite mostraram que
uma grande parte da plataforma de gelo Wilkins, da Antártida,
se desprendeu do continente após entrar em colapso.
Segundo o pesquisador Jefferson Simões, coordenador do Núcleo
de Pesquisas Antárticas e Climáticas, da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, nos últimos 15 anos as plataformas
estão se desintegrando cada vez mais próximas do hemisfério
sul. “ Esta plataforma está a 70º sul, uma proximidade
nunca antes ocorrida”, declara Simões. Para o professor,
o colapso acontece quando a temperatura da atmosfera aquece e formam-se
lagos na superfície da plataforma. “O gelo se fratura
e essa água penetra nas fraturas, tornando instável
essa área enorme de gelo flutuante. A plataforma se quebra,
desprendendo-se em diversos pedaços que ficam a deriva no
mar até derreterem-se completamente”, explica Jefferson.
Novas soluções
Em busca de alternativas tecnológicas para utilização
de combustíveis renováveis que provoquem um menor
impacto ambiental, o edital do CNPq apóia diversas pesquisas
na produção de etanol e biodiesel, com base em fontes
de energia distribuídas por todo o país. “O
Brasil tem condições ímpares para a implementação
de novas tecnologias, como a produção de etanol de
biomassa e biodiesel”, afirma Elba Bom, da UFRJ, e coordenadora
do projeto que busca a produção de etanol de segunda
geração a partir da biomassa da cana-de-açúcar.
Outro projeto aprovado, coordenado pelo professor Flávio
Luiz Honorato da Silva, da Universidade Federal de Campina Grande
UFCG), pesquisa a utilização do pedúnculo de
caju para a produção de biocombustível (bioetanol).
”É também uma forma de aproveitar o resíduo
(bagaço) do fruto, evitando desperdício e fazendo
com que a cultura do caju seja mais valorizada, gerando emprego
e renda”, disse o pesquisador.
O pinhão manso é mais uma fonte estudada no projeto
coordenado pela pesquisadora Cristina Castro, da APTA, que atua
nas áreas de produtores do Vale do Paraíba Paulista.
“Uma alternativa econômica, social e ambiental para
a produção integrada de biodiesel, esta oleaginosa,
que se integra à paisagem, será também uma
alternativa de renda e reduzirá o impacto ambiental gerado
pelas extensas áreas de produção florestal
que atendem a indústria de papel e celulose”, explica.
E para melhorar as formas de produção já utilizadas
no país para o biodiesel, o projeto coordenado por Jairton
Dupont, da UFRGS, está propondo o desenvolvimento de um sistema
catalítico enzimático suportado. “Acreditamos
que a metodologia proposta vai proporcionar uma diminuição
nos problemas relacionados à parte operacional do processo
de produção, bem como de extração do
biodiesel”, explica o coordenador.
Futuro promissor
Uma iniciativa que buscou expandir as ações voltadas
à pesquisa e desenvolvimento tecnológico dos biocombustíveis
no Brasil e manter o país na vanguarda da utilização
de energias biorrenováveis, o edital recebeu uma elevada
demanda, contabilizando mais de 260 propostas, reflexo da compentência
científica instalada nas instituições brasileiras.
“Em um curto espaço de tempo, esses projetos poderão
trazer grandes avanços para a pesquisa e o desenvolvimento
tecnológico no campo da bioenergia, atingindo toda a sociedade
e contribuindo significativamente para a conquista de um futuro
melhor para a humanidade por meio da ampliação da
utilização de energias menos poluidoras e certamente
mais racionais”, declarou o diretor de Programas Temáticos
e Setoriais do CNPq, José Oswaldo Siqueira.
Revolucionário
Segundo o pesquisador Flávio Luiz Honorato da Silva, da UFCG,
“outros impactos que os projetos podem trazer para a sociedade
são também as possibilidades de além de abastecer
o mercado interno com o biocombustível renovável,
reduzindo o impacto ambiental, exportar e vender créditos
de carbono, sinalizando a grande importância para o Brasil
pesquisar alternativas de biomassas na produção de
bioetanol, continuando a ser o maior produtor deste biocombustível”,
completa.
Diante da gama de projetos apoiados por meio do edital, José
Oswaldo Siqueira adianta que “como resultados esperados destacamos
os avanços tecnológicos no setor sucroalcooleiro,
que será tão revolucionário quanto foi a própria
utilização do álcool como combustível
veicular, avanços nas chamadas tecnologias de segunda geração
para a obtenção de etanol a partir de outras matérias-primas
que não a cana-de-açúcar”, afirma.
Em relação ao biodiesel, Siqueira declara que o CNPq
aguarda o surgimento de significativas possibilidades de ampliar
o conhecimento sobre as espécies vegetais com potencial para
produzir este combustível e sobre os aspectos agronômicos
relacionados à produção das culturas oleaginosas,
incluindo avaliações dos impactos ambientais, na geração
de renda e na inclusão social produzidos pelas diferentes
culturas energéticas, em diferentes condições
e regiões do país.
Assessoria de Comunicação Social do CNPq
(61) 2108-9414
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