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Software interpreta a fala dos animais
Por meio de uma técnica agrícola chamada de zootecnia
de precisão, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual
de Campinas (Unicamp), apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), desenvolveu um
software capaz de interpretar a vocalização dos animais
suínos, bovinos e aves, identificando se estão com
frio, fome ou sob algum tipo de estresse.
A vocalização é uma ferramenta importante
para fornecer dados do bem-estar do animal, seu estado de saúde
e adaptação social, de forma não-invasiva.
“A busca pelo bem-estar tornou-se preocupação
recorrente dos produtores, não somente para atender a demandas
de exportação, como para se adequara novos paradigmas
do setor. Usando os conceitos da zootecnia de precisão, estamos
oferecendo uma tecnologia que poderá ajudá-los”,
explica a pesquisadora e coordenadora do projeto, Irenilza de Alencar
Naas.
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| Janela inicial do software processando a vocalização de castração. |
O software foi desenvolvido por alunos no Laboratório de
Conforto Térmico da Faculdade de Engenharia Agrícola
da Unicamp e permite a gravação e configuração
dos dados. “Validamos a utilização do software
em uma fazenda comercial no estado de São Paulo. Gravamos
os sinais de vocalização de suínos, e o software
nos permitiu analisar e interpretar a vocalização
dos leitões em situações estressantes e não
estressantes, apresentando resultados distintos da caracterização
dos sons emitidos em ambas as situações”, explicou
a pesquisadora Daniela Moura, que participou do grupo.
Segundo a pesquisadora, a comparação dos parâmetros
do som gravado revela a diferenciação de gritos no
chamado repertório dos leitões. “Os gritos foram
significativamente diferentes nos seus parâmetros sonoros,
e o software conseguiu gerar cinco espectros de projeção
distintos para todas as condições, que permitem a
identificação da prevalência de alta ou baixa
frequências, de acordo com a vocalização emitida”,
completou Daniela.
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| Leitões amamentando na maternidade onde foi realizado o experimento. |
Entre mugidos e piados
Além do trabalho desenvolvido com suínos, os pesquisadores
testaram o software de medida da vocalização com aves
e bovinos. “Estimamos a condição de estresse
de bezerras em baias de criação e também medimos
o bem-estar térmico de pintinhos na fase de aquecimento”,
conta a pesquisadora Irenilza Naas.
No estudo com bezerros, o grupo de pesquisadores utilizou cinco
fêmeas, divididas em dois grupos em função da
idade. “Os resultados mostraram que as bezerras mais jovens
apresentam maior estresse com a separação da matriz”,
explicou o estudante de engenharia agrícola, Rafael Augusto
da Silva, bolsista de Iniciação Científica
do CNPq.
Segundo o estudante, a separação dos bezerros no
manejo de vacas leiteiras é importante na produção
comercial de leite, mantendo-os em baias individuais para evitar
a expressão de comportamentos anormais, como agressividade.
Esse manejo deve ser adequado às novas normas de bem-estar
animal para não haver comprometimento futuro dos animais.
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| Imagem da câmera de vídeo registrando os pintinhos dentro da caixa de criação. |
Numa forma inovadora de avaliar o conforto térmico das aves,
os pesquisadores correlacionaram o estudo da temperatura ambiente
com o comportamento de vocalização dos animais. “Verificamos
que os pintinhos, nas primeiras três semanas, têm uma
tendência para sonorizar menos quando estão expostos
a um ambiente com conforto térmico. Quando a temperatura
diminui, a freqüência de vocalização vai
aumentando”, disse a coordenadora Irenilza Naas.
O software está em fase de patente e terá um custo
barateado para ser usado como instrumento na busca do bem-estar
animal. “Vários autores nos mostram que a necessidade
de aumento da produção criou um ambiente propício
a doenças e ao sofrimento do animal”, completa a pesquisadora.
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