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Ovário Artificial: uma tecnologia sem fronteiras
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| Análise de óvulos no Lamofopa |
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O domínio de biotécnicas aplicadas à reprodução animal tem provocado uma verdadeira revolução científica. Pesquisa inédita no mundo promete reproduzir in vitro um ambiente favorável para o desenvolvimento e maturação de óvulos visando fecundação e produção de embriões de animais em larga escala. A nova técnica que possibilita o bem-estar e a multiplicação de animais irá contribuir significativamente para o tratamento da infertilidade, implantação de bancos genéticos para a preservação da biodiversidade e avanço da nanotecnologia, entre outras aplicações.
Estudo desenvolvido pelo pesquisador e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), José Ricardo de Figueiredo, e sua equipe do Laboratório de Manipulação de Óocitos e Folículos Ovarianos Pré-Antrais (LAMOFOPA), na Faculdade de Veterinária (Favet) da Universidade Estadual do Ceará (Uece), possibilitou a obtenção do primeiro embrião caprino do mundo a partir da técnica do ovário artificial. “A técnica visa recuperar os óvulos não crescidos contidos nos folículos pré-antrais antes de sua morte e colocá-los dentro de meios de cultura apropriados mantidos em incubadoras de modo a bloquear a morte dos óvulos e assegurar o seu crescimento e maturação e posterior fecundação in vitro”, afirma o pesquisador.
Segundo Figueiredo, o crescimento de óvulos fora do organismo materno, técnica denominada de ovário artificial, visa recuperar dos ovários os óvulos que não teriam chance de se desenvolver devido a um processo natural denominado atresia folicular, em que 99,9% dos óvulos perecem antes da ovulação. Isto acontece porque há limitação de espaço e uma grande competição entre os folículos por nutrientes, hormônios e outras substâncias necessárias para regular os óvulos.
Dessa forma a biotécnica do ovário artificial pretende recriar um ovário in vitro, mas com uma eficiência bem maior que a natural. “Nossa equipe vem desenvolvendo pesquisas em Manipulação de oócitos inclusos em Folículos Ovarianos Pré-antrais (MOIFOPA), com ênfase na espécie caprina. Estamos conseguindo obter taxas de sobrevivência folicular superior a 70%. Os óocitos (óvulos) coletados nos folículos caprinos, devido aos nossos cuidados, estão alcançando o tamanho mínimo para maturação completa e posterior fecundação”.
Para o pesquisador, a técnica contribuirá para o bem-estar animal, já que irá reduzir o estresse nos procedimentos atuais como superovulação, colheita de embriões, punção de óvulos, além do uso de animais em experimentos. “Imagine num futuro próximo, a partir de um pequeno fragmento retirado de um ovário por biopsia, será possível a produção, em laboratório, de centenas a milhares de embriões”. Com o aperfeiçoamento dos meios de cultivo será possível produzir embriões em larga escala a baixo custo, contribuindo para o aumento da produtividade da pecuária nacional.
Essa técnica também desperta o interesse para a saúde humana, já que a Moifopa representa uma alternativa para o aperfeiçoamento de meios de cultura visando o crescimento, a maturação oocitária e a produção de embriões humanos in vitro. Isso poderá aumentar as chances da fertilidade e preservar o bem-estar da mulher, já que a paciente não terá o desconforto físico e emocional da coleta de óvulos.
O ovário artificial poderá ser usado ainda como método laboratorial para testes de drogas o que trará importantes e benéficas conseqüências para os animais, já que milhares serão poupados da utilização nesses experimentos.
O projeto conta com investimentos do CNPq, da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico (Funcap).
Assessoria de Comunicação
Social do CNPq
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