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Senado discute a necessidade
de profissionais qualificados nas novas tecnologias
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O presidente do CNPq defende mais investimentos
em
tecnologia e inovação |
Dando continuidade ao novo ciclo de audiências
públicas organizadas com o intuito de dialogar sobre a necessidade
de mais investimentos em recursos humanos para inovação
e competitividade, o segundo painel promovido pelo Senado Federal,
nesta segunda-feira (08), discutiu "A política de formação
e capacitação de recursos humanos frente à
política de desenvolvimento produtivo".
O foco da reunião foi à assimetria do dinheiro gasto
no Brasil com relação as diferentes áreas do
conhecimento. Segundo o presidente do CNPq, Carlos Alberto Aragão,
que participou do encontro, existem áreas estratégicas,
como as das engenharias, bem como outras ligadas à energia,
ao clima, a nanotecnologia, e outras áreas interdisciplinares
ainda muito incipientes no país.
Durante a reunião Aragão afirmou que o CNPq está
buscando investir mais nas áreas tecnológicas com
a intenção de fortificá-las e melhorar o desempenho
do Brasil, principalmente na área das engenharias, que segundo
ele, ainda está engatinhando.
“Apesar das áreas de engenharias terem crescido nos últimos
anos, essa é uma área de graduação que
anda a passos lentos. O Brasil forma anualmente cerca de 30 mil
engenheiros, número bem abaixo do verificado em países
como a Rússia (190 mil), Índia (220 mil) e China (650
mil). Embora o Brasil esteja em 13º lugar na produção
de conhecimento global, à frente da Holanda e da Rússia,
no caso de engenharia o país ocupa a 21ª posição”.
Durante o Encontro, Aragão também mostrou evidente
preocupação com a enorme evasão nos cursos
de engenharia, tanto é assim que as estatísticas demonstram
que 60% dos alunos de engenharia das universidades públicas
desistem do curso e 75% dos estudantes das privadas também
saem antes do término.
“Esses dados são preocupantes, ainda mais porque apenas
2 de cada 7 engenheiros acabam exercendo a profissão. Esse
afunilamento dos cursos de engenharia começa cedo. Segundo
a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições
Federais de Ensino Superior (Andifes), a cada 800 estudantes do
ensino fundamental no País, apenas um opta por se formar
em engenharia”, disse Aragão.
Reconhecendo essa área como estratégica para o país,
Aragão afirmou ainda que o CNPq irá juntar esforços
e planos para incentivar mais jovens para essa área. “Quanto
mais o país cresce, mais aumentam as fronteiras. Precisamos
investir em engenheiros, até para dar conta das demandas
do Pré-sal, dos biocombustiveis, do setor espacial, aeronáutico
e nuclear, que hoje já se ressentem da falta de profissionais
qualificados".
Os números mostram que o Brasil ainda está abaixo
da média dos países da Organização de
Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos (OCDE)
– de 2% do PIB. Mas, segundo Aragão, o Brasil está
deixando de engatinhar para finalmente entrar na corrida das
nações nessa área. “O Brasil é uma economia
de pesquisa competitiva e crescentemente importante. A capacidade
de sua força de trabalho de pesquisadores e o investimento
em P&D estão expandindo rapidamente, oferecendo novas
possibilidades”, disse.
Para finalizar, Aragão afirmou que neste ano o CNPq irá
focar, ainda mais, no incentivo ao desenvolvimento de tecnologia
de ponta nas empresas brasileiras, ou seja, tentará atrair
mais as empresas, com o intuito de oferecer recursos humanos altamente
qualificados, tornando-as mais competitivas no mercado externo.
“Sabemos o quanto é necessário superar o fosso entre
o conhecimento científico acadêmico e as atividades
de inovação e agregação de tecnologia
nas empresas ”, afirmou.
Após a exposição de Aragão, o presidente
da Comissão de Serviços de Infraestrutura, Fernando
Collor, observou que o Brasil não pode mais perder a oportunidade
de um crescimento consistente. “Não podemos mais dar prioridade
a compras de tecnologia pronta. Precisamos dar oportunidade aos
nossos pesquisadores. Temos ainda um número muito baixo de
patentes brasileiras. Estamos no eixo secundário com um desempenho
pior em relação às patentes depositadas nos
Estados Unidos, sendo também superado nesse setor pela Rússia,
Índia e China”, disse.
Participantes
O painel também contou com a participação
do Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial
(ABDI), Reginaldo Braga Arcuri, do deputado federal Alceni Guerra
(DEM-PR) e do diretor-presidente do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski.
Segundo Reginaldo Arcuri, o Brasil tem que ser ainda mais competitivo
e não apenas detentor de riquezas naturais com mão-de-obra
eventualmente barata. “O Brasil precisa investir em inovação
tecnológica, tendo em vista que o país voltou a ter
demanda por trabalho qualificado em alguns setores, como engenharia,
que chega a ser maior que a capacidade do país em formar
esses profissionais”.
O presidente da ADBI registrou ainda que os operários são
hoje "atores e partícipes" do processo de produção,
com a utilização de máquinas complexas que
demandam conhecimentos. “Só vamos efetivamente responder
aos desafios que o resto do mundo nos propõe se tivermos
gente capacitada tanto na pesquisa básica como na operação
direta de máquinas”, afirmou.
No final da audiência, o engenheiro Pedro Wongtschowski,
do Grupo Ultra, que conta hoje com 10 mil funcionários no
Brasil, afirmou que as empresas precisam atuar em conjunto com as
universidades nos cursos de formação de tecnólogos,
como forma de melhorar a formação inicial dos ingressantes
no mercado de trabalho e de agilizar a adequação dos
currículos.
Recomendou ainda a adoção de incentivo à pesquisa
concentrada em áreas estratégicas, tendo em vista
que as verbas encontram-se hoje muito pulverizadas e não
favorecem o estudo de temas complexos e extensos; incentivo à
pesquisa conjunta entre a empresa e a academia; criação
de laboratórios nacionais geridos por organizações
sociais para projetos de pesquisa da área acadêmica;
e incentivo à pesquisa acadêmica com entidades internacionais.
Painéis
A intenção deste novo ciclo de debates organizado
pela CI é discutir a formação e capacitação
de mão de obra necessária para enfrentar os desafios
nos setores ligados à infraestrutura no país. Serão
realizadas mais 12 painéis, realizados às segundas-feiras
até o dia 7 de junho, dentro da programação
da Agenda Desafio 2009-2015.
Veja programação: http://www.cnpq.br/saladeimprensa/noticias/2010/0309_paineis.htm
Assessoria de Comunicação Social do CNPq
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