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Qui, 15 Out 2020 13:25:00 -0300
Pesquisa na Chapada do Araripe amplia conhecimento da diversidade no NE
O estudo de esfingídeos, espécies de mariposas, tema de tese de doutorado da pesquisadora Talitha Rochanne Alves Abreu da Costa, sob orientação do Prof. Marcelo Duarte, bolsista PQ do CNPq, contribuiu para aumentar o conhecimento sobre a diversidade desses insetos na região Nordeste do Brasil e sua distribuição na área do município estudado, localizado na Chapada do Araripe.O estudo de esfingídeos, espécies de mariposas, levantou novas informações sobre a biodiversidade do município de Santana do Cariri, Ceará, onde a pesquisa foi desenvolvida. Além do eventual reflexo em outras áreas do conhecimento científico, como por exemplo, na produção agrícola, o trabalho, tema de tese de doutorado da pesquisadora Talitha Rochanne Alves Abreu da Costa, sob orientação do Prof. Marcelo Duarte, bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), contribuiu para aumentar o conhecimento sobre a diversidade desses insetos na região Nordeste do Brasil e sua distribuição na área do município estudado, localizado na Chapada do Araripe, área geográfica considerada de extrema importância para a conservação da biodiversidade da Caatinga.
Desde 2002, a Chapada do Araripe é citada por relatórios do Ministério do Meio Ambiente como uma das doze regiões brasileiras em que há necessidade do estabelecimento de programa especial de fomento para a realização do inventário biológico. Os esfingídeos ainda são pouco estudados na região, apesar da relevância dessas espécies para a economia local.
Paisagens e vegetação da Chapada do Araripe. Foto: Divulgação.Algumas das espécies pesquisadas durante o trabalho de campo da doutora Talitha da Costa são reconhecidas pelos danos que podem causar aos cultivos agrícolas durante o estágio larval. Uma das espécies mais abundantes encontradas na área estudada, Erinnyis ello ello, por exemplo, é considerada uma importante praga da cultura da mandioca, plantação comum em Santana do Cariri. A doutora Talitha afirma, porém, que, embora seja uma praga, Erinnyis ello ello é também um ótimo polinizador. A pesquisadora acredita que os resultados de sua tese, defendida em setembro de 2020 no Programa de Pós-Graduação em Zoologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), poderiam ser utilizados pelos agricultores locais, contribuindo para a diminuição do uso do agrotóxico e para o uso de maior controle biológico, visto que esses esfingídeos também são ótimos polinizadores. Assim, ao invés de usar o agrotóxico para retirar as larvas, os agricultores poderiam ser ensinados a coletar as lagartas de Erinnyis ello ello de maneiras mais salutares. Durante o trabalho que resultou na tese, a pesquisadora também coletou ácaros que parasitam os esfingídeos, registrando o Prasadiseius donahuei, espécie de ácaro que ainda não tinha sido registrada no Brasil.
Pesquisas sobre espécies de esfingídeos emblemáticos para programas de conservação contribuem para o entendimento da complexidade da biodiversidade tropical e de sua manutenção. No mundo são conhecidas 1.602 espécies de esfingídeos distribuídas em 205 gêneros. Para o Brasil, já foram registradas 196 espécies. Os esfingídeos são utilizados como indicadores biológicos em avaliações da qualidade ambiental em diferentes ecossistemas, além de serem agentes polinizadores de inúmeras plantas em zonas tropicais. A observação dos esfingídeos é dificultada por essas espécies terem hábitos noturnos, em sua maioria. Dada a dificuldade em observá-los em visitas às flores, consideram-se relevantes as informações adquiridas por meio do estudo de grãos de pólen aderidos a seus corpos, que indicam as interações ecológicas realizadas por esses grupos.
A pesquisa de campo do doutorado da Dra. Talitha, levantou mensalmente amostragens na Área de Proteção Ambiental da Chapada do Araripe, no município de Santana do Cariri, Ceará, entre agosto de 2016 e julho de 2018. O trabalho foi realizado durante 12 horas às noites, no intervalo das 17:30 horas às 5:30 horas, em período de lua nova, que aumenta a eficiência e a atratividade da armadilha luminosa.

Espécies atraídas pela armadilha luminosa. Foto: Divulgação
Das 37 espécies de esfingídeos coletadas, registrou-se pólen em 29 delas (76%), totalizando a identificação de 91 tipos polínicos de angiospermas. Identificou-se um total de 36 famílias de plantas. A pesquisa indicou que os esfingídeos, reconhecidos como utilizadores de plantas com grande tubo floral, também utilizaram outros tipos de plantas herbáceas e arbóreas. O estudo ampliou o conhecimento para 21 espécies de esfingídeos e incluiu dados novos para sete outras espécies sem nenhuma informação sobre o uso dos recursos florais. As espécies que tiveram mais informações ampliadas sobre os tipos polínicos utilizados foram Erinnyis ello ello, com 56 novos tipos polínicos, e Xylophanes tersa e Agrius cingulata, com 27 e 25 novos tipos polínicos, respectivamente. A pesquisa apontou também a direção sobre quais famílias e gêneros em que os estudos devem ser aprofundados, para a melhor compreensão dos serviços de polinização prestados pelos esfingídeos na Chapada do Araripe.
A tese de doutorado de Talitha da Costa foi desenvolvida sob a orientação do professor Marcelo Duarte, Vice-Diretor do Museu de Zoologia da USP (02/2018 ¿ 12/2021) e coordenador do projeto Contribuição do Museu de Zoologia da USP à implementação do SIBBR - Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira, apoiado pelo CNPq, que concedeu ao professor ao professor 29 bolsas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial, com prazos que variaram de 12 a 36 meses, no valor total de R$ 1 milhão.
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Ter, 13 Out 2020 19:07:00 -0300
Nota de Pesar: Dr. Belmiro Mendes de Castro Filho
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lamenta profundamente o falecimento, no último dia 10 de outubro, do Prof. Dr. Belmiro Mendes de Castro Filho, professor titular no Departamento de Oceanografia Física, Química e Geológica da Universidade de São Paulo (USP), do qual foi Diretor.
Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, o Prof. Belmiro se destaca por sua dedicação ao Ensino, à Pesquisa, Extensão e Administração. Com vasta experiência na área de Oceanografia, com ênfase em Oceanografia Física, atuou principalmente nos seguintes temas: Hidrodinâmica da Plataforma Continental e de Estuários, além de Física da Poluição Marinha.
Graduado em Física pela Universidade de São Paulo (1972), com mestrado em Oceanografia (Oceanografia Física) pela Universidade de São Paulo (1977) e doutorado em Oceanografia Física e Meteorologia pela University of Miami (1985), obteve o título de Professor Titular da Universidade de São Paulo, com atuação no Instituto Oceanográfico da USP, onde foi Decano.
Orientou 25 mestres e 10 doutores. Responsável, no decorrer do tempo, por 9 disciplinas de pós-graduação. Participou de 54 bancas de tese ou dissertação e em 89 bancas de qualificação. Produziu mais de 40 trabalhos completos veiculados em revistas científicas nacionais e internacionais e em livros.
Foi co-autor do livro Princípios de Oceanografia Física de Estuários, pela EDUSP, que recebeu o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Posteriormente esse mesmo livro foi editado em inglês.
Foi Diretor do Instituto Oceanográfico da USP na gestão 2001-2005, tendo sido Chefe do Departamento de Oceanografia Física, Química e Geológica, do mesmo Instituto, nas gestões 1997-1999, 1999-2001, 2005-2007 e 2007-2009.
Nossa solidariedade à família, amigos e colegas neste momento de profunda dor.
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Ter, 13 Out 2020 12:22:00 -0300
Seminários avaliam Pronem-Pronex da FAPES
O conhecimento científico produzido no Espírito Santo estará em evidência, neste mês de outubro, durante os seminários de apresentação dos projetos em andamento realizados por 51 núcleos científicos. Os estudos recebem apoio das chamadas públicas lançadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Confira a programação, que será transmitida pela página da Fapes no Facebook.

De 14 a 16 de outubro, 20 pesquisas terão os resultados demonstrados no II Seminário de Avaliação e Acompanhamento Parcial dos editais lançados em 2017 no âmbito do Programa de Apoio a Núcleos Emergentes (Pronem) e do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex). São estudos que abordam desde materiais nanoestruturados e Internet das Coisas até tuberculose e contaminação por metais tóxicos, passando pelo desempenho de alunos na educação pública.
Entre 19 e 23 de outubro, será a vez da primeira apresentação parcial dos 31 projetos apoiados pelos editais do Pronem e do Pronex lançados em 2018. Entre as pesquisas, ganham destaque as investigações sobre produção agrícola, rochas ornamentais, robótica, biotecnologia, saúde indígena e nanosensores de detecção de dengue, zika e chikungunya.
Juntas, as chamadas direcionaram mais de R$ 11,6 milhões em recursos para fortalecer e consolidar grupos de pesquisa presentes no Estado.
Pronem
O Programa de Apoio a Núcleos Emergentes é voltado a apoiar projetos coordenados, exclusivamente, por pesquisadores bolsistas de produtividade em pesquisa ou desenvolvimento tecnológico nível 2 do CNPq. O objetivo é contribuir para o fortalecimento e a consolidação de grupos de pesquisa emergentes sediados no Espírito Santo.
Pelo Edital 06/2017, estão sendo aportados mais de R$ 2 milhões até o fim da execução dos 14 projetos, que pode durar até 40 meses no total após prorrogação devido à pandemia do novo Coronavírus. Já pelo Edital 23/2018, são direcionados mais de R$ 4 milhões a 22 núcleos emergentes capixabas.
Pronex
O Programa de Apoio a Núcleos de Excelência foi criado para fomentar pesquisas de grupos considerados de alta competência que tenham liderança e papel nucleador no setor de atuação. Por meio de editais lançados, a Fapes dá apoio a pesquisadores com significativa liderança dentro da área de pesquisa, inserção nacional e internacional e excelência continuada na produção científica e na formação de recursos humanos.
Também com prazo de execução prorrogado para 40 meses, os projetos apoiados pelo Pronex são coordenados por pesquisadores bolsistas de produtividade em pesquisa ou desenvolvimento tecnológico nível 1 do CNPq. No total, estão sendo transferidos R$ 5,4 milhões a 15 núcleos enquadrados como de excelência pelos editais 05/2017 e 24/2018.
PROGRAMAÇÃO
2º Seminário de Avaliação e Acompanhamento Parcial ¿ Editais 05/2017 (Pronex) e 06/2017 (Pronem)
14 de outubro, quarta-feira
- 10 horas: Acompanhe pelo Zoom ou pelo Facebook da Fapes
*Novos materiais nanoestruturados: fenômenos interfaciais afetando propriedades magnéticas e supercondutoras. (Edson Passamani Caetano/Ufes) [PRONEX]
*Astrofísica, Cosmologia e Gravitação. (Júlio César Fabris/Ufes) [PRONEX]
*Heteroestruturas magnéticas, supercondutoras ou híbridas. (Valberto Pedruzzi Nascimento/Ufes) [PRONEM]
- 14 horas: Acompanhe pelo Zoom ou pelo Facebook da Fapes
*Núcleo de Excelência em Tecnologias para Internet das Coisas (IoT-A). (Marcelo Eduardo Vieira Segatto/Ufes) [[PRONEX]
*Núcleo Emergente em Redes Definidas por Software (NERDS). (Moises Renato Nunes Ribeiro/Ufes) [PRONEM]
*Núcleo de Engenharia e Inovação em Telessaúde e Telerreabilitação. (Rodrigo Varejão Andreão/IFES) [PRONEM]
*Escola em tempo integral e o desempenho dos alunos das escolas públicas do ES. (Aridelmo José Campanharo Teixeira/Fucape) [PRONEM]
15 de outubro, quinta-feira
- 8h30: Acompanhe pelo Zoom ou pelo Facebook da Fapes
*Novas abordagens diagnósticas para a tuberculose. (Moises Palaci/Ufes) [PRONEX]
*Infecções genitais e câncer de colo uterino em mulheres de comunidades quilombolas no Espírito Santo. (Angelica Espinosa Barbosa Miranda/Ufes) [PRONEM]
*Micro e nanopartículas de origem natural com potencial anti e pró-oxidante empregadas na prevenção de doenças humanas e animais. (Denise Coutinho Endringer/UVV) [PRONEM]
*Núcleo de Pesquisa Neurofeedback: Aplicação nas Desordens Neuropsiquiátricas. (Ester Miyuki Nakamura Palacios/Ufes) [PRONEM]
- 13h30: Acompanhe pelo Zoom ou pelo Facebook da Fapes
*Contaminação por metais tóxicos, mercúrio e chumbo: efeitos tóxicos em modelos animais e ação anti-estresse oxidativo de peptídeos da clara de ovo. (Dalton Valentim Vassallo/Ufes) [PRONEX]
*Revertendo defeitos funcionais de células T e potencializando a imunidade específica anti-Leishmania em humanos através do bloqueio de p38 MAPK e PD-1. (Daniel Claudio de Oliveira Gomes/Ufes [PRONEM]
*Estudo da viabilidade da implementação de novos marcadores moleculares forenses na rotina da Polícia Civil do ES e consolidação do Centro Integrado de Genômica e Diagnóstico Molecular da UFES. (Iúri Drumond Louro/Ufes) [PRONEM]
*Alterações funcionais, mecânicas e estruturais cardiovasculares após exposição crônica ao cádmio e aos ácidos graxos essenciais. (Alessandra Simão Padilha/Ufes) [PRONEM]
*CSI Biodiversidade: tecnologias de ponta ajudam a desvendar a história evolutiva das espécies. (Valeria Fagundes/Ufes) [PRONEM]
16 de outubro, sexta-feira
- 8h30: Acompanhe pelo Zoom ou pelo Facebook da Fapes
*Bases moleculares biotecnológicas da interação planta-vírus gerando produtos inovadores para a melhoria da resistência e qualidade de frutos de mamão e abacaxi. (José Aires Ventura/Incaper) [PRONEX]
*Novas tecnologias em fertilizantes Fosfatados e nitrogenados de eficiência aumentada e sua interação no sistema solo-planta. (Felipe Vaz Andrade/Ufes) [PRONEM]
*Árvores frutíferas funcionais da Floresta Atlântica: Diversidade molecular, morfofisiológica e morfogênese in vitro na produção de sementes sintéticas de superclones de sapucaia e juçara. (Rodrigo Sobreira Alexandre/Ufes) [PRONEM]
*Núcleo emergente de pesquisa básica e aplicada associada à embriogênese somática indireta de Coffea com diferentes níveis de ploidia. (Márcia Flores da Silva Ferreira/Ufes) [PRONEM]
1º Seminário de Avaliação e Acompanhamento Parcial - Editais 24/2018 (Pronex) e 23/2018 (Pronem)
Data: de 19 a 23 de outubroInformações à imprensa:
Assessoria de Comunicação da Fapes
Mike Figueiredo / Jair Oliveira
(27) 3636-1867 / 99309-7100
comunicacao@fapes.es.gov.br
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Qua, 07 Out 2020 14:48:00 -0300
Pesquisa do Proantar identifica bactérias com ação anticancerígena
O estudo foi publicado na revista Scientific Reports e desenvolvido por bolsistas do CNPq a partir de projeto apoiado pelo PROANTAR, programa coordenado pelo CNPq e o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovações.Pesquisadores brasileiros publicaram em agosto, na revista Scientific Reports, da Nature, artigo sobre estudo realizado na Antártica, que isolou e identificou onze gêneros de bactéria do tipo Actinobacteria, alguns capazes de produzir potentes compostos anticancerígenos. Entre os compostos fabricados por essas bactérias estão a Cenerubina B. e a Actimicina V, ativos que não apresentaram efeitos tóxicos às células sadias. Durante a pesquisa, realizada no âmbito do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), os cientistas encontraram metabólitos com atividade biológica de duas linhagens pertencentes ao gênero Streptomyces, espécies de Actinobacteria, que mostraram atividades antiproliferativas contra as células cancerosas humanas, podendo contribuir para o desenvolvimento de drogas relevantes na área. As espécies Streptomyces constituem reservas extraordinárias de substâncias com potencial para o desenvolvimento de drogas anticâncer. O isolamento e a identificação dessas bactérias tornaram-se uma área frutífera para a pesquisa nos últimos anos, devido à exploração de possíveis novos produtos naturais bioativos.

Imagens de satélite do continente antártico e do trabalho de campo dos pesquisadores. Foto: Divulgação
O filo Actinobacteria designa bactérias gram-positivas, isto é, bactérias possíveis de serem identificadas quando coradas de violeta por método de coloração que faz com que sejam visualizadas no microscópio óptico. Espécies desse filo se encontram presentes no solo e em ambientes extremos e são conhecidas por produzir uma variedade de substâncias bioativas de interesse industrial e farmacêutico. Segundo o professor Itamar Soares de Melo, da Embrapa Meio-Ambiente, as Actinobacteria têm contribuído de forma significativa para a humanidade. "Elas são responsáveis por cerca de 75% de todos os antibióticos conhecidos", afirma ele, sobre os medicamentos que utilizam compostos derivados das Actinobacteria. A pesquisa contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), por meio do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR).
A realização da pesquisa na Antártica é significativa. A região tem sido considerada um dos ecossistemas mais promissores de bioprospecção fora dos ambientes ecológicos já conhecidos e amplamente estudados. Segundo o pesquisador Leonardo Jose Silva, primeiro autor do artigo, que estudou o assunto em seu doutorado pela Universidade de São Paulo, com bolsa do CNPq, por conta de características ambientais únicas, como o menor efeito da ação do homem sobre o meio ambiente e a ocorrência de espécies só lá encontradas, o continente antártico possibilita o isolamento de novos e raros organismos que podem resultar na produção de compostos ou na descoberta de propriedades biológicas ainda não conhecidas. Além disso, embora tenha recebido atenção nas últimas décadas, a procura por moléculas bioativas de microorganismos que possam gerar efetivos compostos farmoquímicos destinados a tratar condições clínicas têm diminuído a cada ano. As causas para esse declínio são o uso de técnicas tradicionais de isolamento químico e a centralização das pesquisas em torno de ambientes já estudados.
Os pesquisadores brasileiros começaram a pesquisa explorando a biodiversidade das Actinobacteria encontradas na rizosfera (região do solo com máxima interação de raízes), de um tipo de gramínea antártica, conhecida pelo nome científico de Deschampsia antarctica. A pesquisa revelou que bactérias associadas à raiz da Deschampsia são fontes ricas de moléculas com propriedades antitumor. Essa gramínea representa uma das poucas espécies de plantas com importante papel ecológico, por abrigar em seu solo uma série de micróbios com grandes capacidades metabólicas. A análise do solo dos microorganismos que habitam ambientes de frio extremo é crucial para o entendimento dos papéis ecológicos e a descoberta do potencial biotecnológico desses ambientes. Devido ao modo de formação de seus esporos e pela tolerância a raios ultra-violeta, entre outras, o gênero Antinobacteria sobrevive sem problemas em condições extremas.
Na etapa seguinte, os pesquisadores explorararam o potencial dessas espécies na síntese de substâncias bioativas. Para o estudo, eles realizaram o sequenciamento genético da Actinobacteria, que, junto com a análise funcional de prognóstico, revelou vários caminhos. A Actinobacteria pode ser útil à biossíntese de antibióticos, como estreptomicina, neomicina e tetraciclina, indicando grande potencial bioativo da comunidade bacteriana associada ao Deschampsia antarctica. A identificação de novas espécies de actinobactérias por meio do sequenciamento do DNA realizada pelos pesquisadores resultou em acervo, que agora se encontra preservado na coleção de micro-organismos da Embrapa Meio-Ambiente, em Jaguariúna, interior de São Paulo.
O artigo derivou de pesquisa coordenada pelo Dr. Itamar Soares de Melo, da Embrapa Meio-Ambiente, e contou com apoio do CNPq, no âmbito de dois projetos coordenados, respectivamente, pela Dra. Vivian Pellizari e pelo Dr. Luiz Henrique Rosa. A doutora Vivian é professora do Instituto Oceanográfico, da Universidade de São Paulo (USP). O doutor Luiz Henrique Rosa, por sua vez, é do Departamento de Microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Assinam o texto pesquisadores da UFMG, da Universidade de Campinas (UNICAMP); da Escola de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ - USP); do Laboratório de Microbiologia Ambiental, da Embrapa Meio-Ambiente; e do Laboratório de Espectrometria de Massa Aplicado a Produtos Químicos Naturais (USP).
O PROANTAR
O Brasil aderiu ao Tratado da Antártida em 1975 e em 1982, foi criado o Programa Antártico Brasileiro, o PROANTAR, dando início a uma das exigências para a participação de um País como Parte Consultiva do Tratado da Antártica, a realização continuada de substanciais atividades científicas naquela região. Tal fato elevou o Brasil à categoria de membro Consultivo com direito a voz e veto dentre um grupo seleto de países que decidem sobre as atividades e o futuro do Continente Branco.
O PROANTAR é um programa de Estado cujo objetivo maior é a produção de conhecimento científico sobre a Antártica e suas relações com o restante do sistema climático global. O financiamento das pesquisas no âmbito do PROANTAR garante a presença da comunidade científica brasileira na Antártica desde o verão de 1982/83.
Desde 1991, o CNPq participa da consecução dos objetivos científicos do PROANTAR. Ao CNPq cabe a responsabilidade pelo financiamento das pesquisas científicas na Antártida
A implementação logística do PROANTAR está a cargo da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), vinculada ao Comando da Marinha (Ministério da Defesa - MD). Também são parceiros na execução do Programa o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Ministério das Relações Exteriores (MRE), entre outros atores do setor público (PETROBRAS) e privado (OI - empresa responsável pela transmissão de voz e dados de longa distância).