|
CNPq investe em incinerador para
reduzir custos, multas e danos ambientais
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) apoiou o desenvolvimento de uma câmara de combustão
com tecnologia barata e que elimina os resíduos de pó
de serragem causadores de problemas ambientais, econômicos
e legais para a indústria madeireira. Atualmente, os restos
de uma serraria não têm destinos certos, sendo queimados
a céu aberto ou jogados nos rios, ocasionando grandes danos
ao meio ambiente e pesadas multas às 3.660 serrarias formalmente
registradas no estado do Pará.
Denominado de Comciclone, o projeto foi solicitado por madeireiras
do Pará e é coordenado pelo professor Manoel Fernandes
Martins Nogueira, da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade
Federal do Pará (UFPA). Está em fase de protótipo
e em sua terceira etapa, devendo estar concluído em maio
de 2009.
Redução de poluentes
O desafio, iniciado em 2004 por meio do Edital CT-Energ/CNPq 29/2004
para Projetos Demonstrativos, é desenvolver um incinerador
mais barato, compacto e, acima de tudo, eficiente, com redução
de gases poluentes como metano, monóxido de carbono, gases
inertes etc. Na etapa atual, o combustor ciclônico será
modificado para produzir vapor objetivando gerar energia elétrica.
Em termos sociais, a idéia é prover um meio econômico
para o descarte dos rejeitos em serrarias e melhoria nas condições
de salubridade nos aterros de serragem e entorno. Atualmente, o
ambiente de trabalho insalubre, devido à geração
de gases tóxicos e da poeira facilmente inaladas pelos funcionários,
ocasiona pesadas multas pelos órgãos governamentais.
O combustor
O combustor ciclônico desenvolvido é um cilindro em
alvenaria com 4 metros de altura e 80 cm de diâmetro interno,
onde o pó de serragem é injetado tangencialmente misturado
com o ar. Em suspensão e em alta velocidade, o processo acelera
a combustão.
O movimento das partículas, na forma espiral como de um
ciclone, aumenta o tempo de permanência das partículas
dentro do combustor, com um processo mais longo de combustão
e efluentes de menor teor de particulados e monóxido de carbono.
O combustor testado consumiu 200 kg/h de serragem, quantidade equivalente
a um queimador tradicional de 6m de diâmetro e 10 de altura.
Projeto
O Projeto Câmara de Combustão Ciclônica para
Resíduos das Indústrias Madereiras - Projeto Comciclone
– contou com apoio financeiro exclusivo do CNPq de R$ 240
mil e proporcionou, ao longo de sua duração, temas
para dissertações de mestrado e diversos trabalhos
entre todos os envolvidos: três alunos de mestrado, seis de
graduação, um técnico, cinco pesquisadores,
sendo um mestre e três doutores, todos da UFPA. Teve também
com a colaboração da Faculdade de Engenharia Mecânica
da Unicamp (prof. Waldir Bizzo), da USP-Politécnica (prof.
Guenther Krieger), da UnB (prof. Gurgel Veras), do Laboratório
de Pesquisas Florestais do IBAMA (prof. Waldir Quirino), além
do apoio da Rede Nacional de Combustão.
Assessoria de Comunicação Social do CNPq
|