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Pesquisadores brasileiros produzem biocombustíveis a partir de óleos vegetais e gorduras animais
Em tempos de alta nos preços do petróleo e de crise entre países produtores e consumidores, o mundo discute fontes alternativas para a produção de energia. No Brasil, além da produção do álcool, o país vem investindo no biodiesel, que se torna uma solução mais barata e eficiente para o problema. Um projeto de obtenção de bio-óleo está sendo desenvolvido pela equipe do Laboratório de Materiais e Combustíveis (LMC) do Instituto de Química (IQ) da Universidade de Brasília (UnB) há quase 10 anos. O combustível obtido a partir de óleos e gorduras de origem animal ou vegetal é semelhante ao diesel do petróleo, porém, possui a grande vantagem de vir de fontes renováveis.
O biocombustível é adquirido através do craqueamento térmico e/ou catalítico de resíduos animais e vegetais descartados por agroindústrias. O processo envolve a quebra de materiais graxos (óleos, gorduras, resíduos industriais, sebos, etc) para a produção de moléculas menores com potencial uso como combustíveis líquidos e mesmo solventes industriais. "O principal aspecto inovador dessa tecnologia é a possibilidade de produzir combustíveis a partir de matérias-primas de baixa qualidade e praticamente sem valor comercial, ou até mesmo a partir de passivos ambientais da agroindústria, podendo assim economizar", explica Paulo Anselmo Ziani Suarez, professor da UnB e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) que coordena a equipe de pesquisa.
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Protótipo de usina de craqueamento
de óleos e gorduras |
O objetivo é desenvolver um processo para a conversão do óleo vegetal ou animal em um combustível que possa ser utilizado em qualquer motor diesel, para ser usado principalmente em comunidades isoladas, com dificuldades de acesso à energia e combustíveis, e para trabalhadores da agricultura familiar. Dessa forma, tem-se assim a opção de uma produção independente de combustível, de forma auto-sustentável, para uso em máquinas agrícolas ou em motores diesel para a geração de energia. "Caso essa tecnologia se torne comercial, ela terá um impacto considerável em comunidades isoladas, e mesmo em grandes fazendas que possuam disponibilidade de materiais graxos. Por exemplo, uma comunidade no interior da Amazônia poderia produzir o seu combustível líquido a partir de óleos produzidos na própria comunidade a partir da biodiversidade local, como frutos de palmeiras", afirma Suarez.
Apesar do sucesso com as pesquisas, o bio-óleo estudado pela UnB não está regulamentado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o que impede a comercialização e uso do produto. Por esta razão, o processo deverá ficar apenas em nível de pesquisa até que haja uma regulamentação. A Universidade de Brasília possui uma unidade piloto, para testes com o novo combustível. A mini usina de produção de bio-óleo pode produzir até 500 L/10 h de operação. "Esperamos, assim, fornecer subsídios para que no futuro essa tecnologia deixe a academia e venha a contribuir para o desenvolvimento social de regiões isoladas no Brasil e mesmo em outros países", diz Suarez.
Se regulamentado, o uso do bio-óleo trará impactos favoráveis à sociedade brasileira, nos campos econômico e ambiental. Os benefícios esperados são: Geração de renda no campo, redução da importação de diesel, redução dos encargos sociais associados à Conta Consumo de Combustível (CCC), oportunidades de emprego, melhoria da qualidade de vida das comunidades alvo, fixação do homem no campo e principalmente a redução das emissões de gás-carbônico e compostos de enxofre, associadas à queima de diesel.
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Assessoria de Comunicação Social do CNPq
(61) 2108-9414
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