COAPD | ME - Microeletrônica

Ciências Exatas e da Terra e Engenharias

CA-ME - CRITÉRIOS PARA JULGAMENTO DE BOLSAS DE PRODUTIVIDADE EM PESQUISA

O objetivo deste documento é divulgar os principais critérios utilizados pelo Comitê Assessor de Microeletrônica do CNPq (CA-ME) no julgamento de bolsas de produtividade em pesquisa (PQ).

Critérios gerais:

a) O enquadramento do pesquisador na categoria 1 exige que o pesquisador tenha, no mínimo, oito anos de doutorado por ocasião da implementação da bolsa. O enquadramento do pesquisador na categoria 2 exi­ge que ele tenha, no mínimo, três anos de doutorado por ocasião da implementação da bolsa.

b) O desempenho do pesquisador é avaliado por meio de indicadores referentes ao período desde o final de sua graduação caso ele seja inferior a cinco anos. Caso contrário a avaliação versa sobre os últimos cinco anos para a categoria 2 e sobre o decênio anterior para a categoria 1.

c) Os critérios devem incluir, além da avaliação do projeto proposto, a produção científica, a formação de RH, a contribuição para inovação, a coordenação ou participação em projetos de pesquisa, a participação em atividades editoriais e de gestão científica, a administração de instituições e núcleos de excelência científica e tecnológica, liderança, visibilidade e a nucleação de grupos de pesquisa.

d) Os solicitantes serão classificados pelos critérios a seguir, adequando-se, no que for possível, a demanda qualificada à disponibilidade orçamentária do CNPq.

Caracterização da Área:

A microeletrônica é um ramo da engenharia voltado à integração de circuitos e sistemas eletrônicos. Dão sustentação à área de microeletrônica tecnologias de dispositivos semicondutores, de fabricação de circui­tos integrados, de instrumentação eletro-eletrônica, de teste e ferramentas computacionais de auxílio a pro­je­­to, à fabricação e ao teste. A área pode ser dividida em duas grandes sub-áreas que cobrem diferentes tópicos:

1. Dispositivos e Processos de Fabricação para Micro e Nanoeletrônica:

Modelamento de dispositivos e processos, CAD para fabricação; caracterização de dispositivos; fabrica­ção de circuitos integrados e de estruturas micro-eletro-mecânicas; optoeletrônica; spintrônica; nano­ele­trônica e microssistemas; sensores e atuadores (transdutores); tecnologias de displays; confiabilidade e encapsulamento

2. Concepção, Projeto, CAD e Teste de Circuitos Integrados:

Circuitos integrados digitais, analógicos, de RF e de sinal misto; projeto físico, síntese lógica e de alto nível; técnicas de verificação, simulação, emulação e prototipação; teste e projeto visando o teste; arquiteturas reconfiguráveis e aplicações utilizando FPGA; projeto de sistemas embarcados, redes de sensores e aplicações industriais; sistemas integrados (SoC), reuso de IP e projeto baseado em plataformas; sistemas micro-eletro-mecânicos.

 

Critérios Específicos:

1) Normas gerais

O procedimento utilizado quando da avaliação do projeto de pesquisa leva em consideração os seguintes passos:

Pareceres do(s) assessor(es) ad-hoc de reconhecida competência na área na qual a proposta do projeto se enquadra;

Análise pelo CA-ME quanto ao mérito da referida proposta, levando em consideração o(s) parecer(es) ad-hoc assim como os itens pertinentes dos critérios estabelecidos por este CA.

Caso um membro do Comitê seja da mesma instituição do pesquisador cujo pedido está sendo julgado, o membro em questão se omite de dar qualquer parecer sobre o caso, a não ser que os outros membros solicitem explicitamente que seja feito algum comentário visando o esclarecimento de pontos sendo discutidos.

A avaliação das propostas de bolsa de produtividade em pesquisa envolve o julgamento do projeto de pesquisa proposto e da produção científica e tecnológica do pesquisador.

a) Avaliação da proposta do projeto de pesquisa

A proposta deve conter informações que permitam uma avaliação criteriosa pelos consultores e pelo próprio comitê quanto ao mérito técnico-científico, incluindo foco e clareza dos objetivos; exequibilidade (considerando metodologia, cronograma, recursos humanos, infraestrutura institucional); impacto dos resultados pretendidos e contribuição para o desenvolvimento científico, tecnológico ou de inovação do país.

b) Avaliação qualitativa e quantitativa da produção científica e tecnológica do pesquisador


As diretivas do CA-ME estabelecem publicações qualificadas como um requisito fundamental para concessão de bolsas de pesquisa individuais em qualquer dos níveis existentes. Isto não quer dizer que pu­bli­­ca­ções nacionais ou regionais de bom nível não sejam consideradas, mas indica que elas não são su­fi­cientes para a obtenção ou manutenção das bolsas. Além disso, a excelência da produção bibliográ­fi­ca deve refletir-se na formação de recursos humanos em nível de mestrado e doutorado. Será valoriza­da, igualmente, a produção tecnológica sob a forma de patente, evidenciando a capacidade do pesqui­sa­dor de transferir o produto de sua pesquisa ao setor industrial.

Com relação aos critérios qualitativos serão considerados os seguintes itens:

  • Publicações qualificadas em periódicos
  • Publicações em anais de eventos
  • Publicação de livros e capítulos stricto sensu.
  • Orientações completas de tese de doutorado e dissertação de mestrado
  • Supervisão de pós-doutorandos
  • Depósito e concessão de patentes
  • Engajamento no ambiente de pesquisa da sua instituição e do país
  • Atividades de política e gestão científicas
  • Atração de projetos de pesquisa
  • Projetos de pesquisa com parceria industrial
  • Atuação junto a sociedades científicas nacionais e internacionais
  • Atividades editorias
  • Citações
  • Capacidade de liderança
  • Filiação a academias nas áreas de ciência e tecnologia
  • Prêmios e distinções
  • Nucleação de grupos de pesquisa
  • Coordenação de equipes de pesquisa
  • Visibilidade nacional e internacional
  • Atuação em divulgação científica e popularização da ciência
  • Organização de eventos científicos

Requisitos mínimos necessários, mas não suficientes para ingresso e promoção

Esses requisitos mínimos servem como uma orientação aos pesquisadores, lembrando que a análise qualitativa da produção científica descrita acima deve prevalecer.

a) Os quantitativos mínimos de produção científica e tecnológica para o ingresso em uma determinada categoria são listados na tabela abaixo, considerando os períodos de avaliação de cinco e dez anospara as categorias 2 e 1, respectivamente.

Table de quantitativos mínimos de produção científica e tecnológica para o ingresso em uma determinada categoria
Categoria 1A 1B 1C 1D 2
Número de publicações em periódicos 8 7 6 5 2
Produção Técnica e Intelectual Total (Conferência = peso 1, Capítulo de livro (stricto sensu) = peso 1, Periódico = peso 2, Patente = peso 2, Livro = peso 4) 50 45 35 25 8
Orientação concluída (Mestrado = peso 1, Doutorado = peso 2) 12 10 8 6 2
 

b) Os quantitativos mínimos de produção científica e tecnológica para a renovação por mais um período numa mesma categoria são listados na tabela a seguir, considerando os períodos de avaliação de cinco e dez anos para as categorias 2 e 1, respectivamente.

Table de quantitativos mínimos de produção científica e tecnológica para a renovação por mais um período numa mesma categoria
Categoria 1 2
Número de publicações em periódicos 5 2
Produção Técnica e Intelectual (Conferência = peso 1, Capítulo de livro (stricto sensu) = peso 1, Periódico = peso 2, Patente = peso 2, Livro = peso 4) 25 8
Orientação concluída (Mestrado = peso 1, Doutorado = peso 2) 6 2
 

Perfis esperados dos pesquisadores nas diferentes categorias:

· Pesquisador 1A

O pesquisador deve ter mostrado excelência continuada na produção científica e na formação de recursos humanos, além de liderar grupos de pesquisa consolidados. O perfil deste nível de pesquisador deve, na maior parte dos casos, extrapolar os aspectos unicamente de produtividade para incluir aspectos adicionais que mostrem uma significativa liderança dentro da sua área de pesquisa no Brasil, uma importante inserção internacional e capacidade de explorar novas fronteiras científicas em projetos de risco.

· Pesquisador 1B

Além de uma crescente contribuição à formação de recursos humanos e à produção de ciência e tecnologia, será avaliada a contribuição na nucleação de grupos de pesquisa, programas de graduação e pós-graduação de sua instituição, sua visibilidade nacional e internacional, além da participação em atividades de política e gestão científicas.

· Pesquisador 1C

Nessa categoria é esperado que além da continua produtividade científica e tecnológica qualificada e formação de recursos humanos, o pesquisador tenha uma importante inserção nacional, demonstre alguma visibilidade internacional, tenha uma participação importante nas atividades institucionais e tenha gerido projetos de pesquisa de maior porte.

· Pesquisador 1D

O pesquisador nesse nível deve demonstrar uma importante independência científica, ter capacidade de gerir projetos científicos, ter consolidado sua capacidade de formar recursos humanos e ter uma produtividade científica em termos de publicações qualifi­ca­das continuada.

 

· Pesquisador 2

O pesquisador deve ter demonstrado capacidade de orientar alunos de pós-graduação e deve ter uma produtividade científica demonstrada em publicações e participação em conferências nos últimos cinco anos de sua carreira.